Celebrar a cultura, em todas as suas vertentes, numa região conhecida há décadas pela dinâmica criativa artística é o mote que inspira a realização do I Festival Variações, Cultura Emergente.
Em Braga, região cada vez mais aberta e cosmopolita, a ação cultural carateriza-se pela amplitude e diversidade. O ritmo criativo artístico tem sido intenso e variado e é conhecido, assim como a abertura à inovação e à modernidade.
É fundamental prosseguir e incentivar esta dinâmica cultural, nomeadamente através da superação de várias fragilidades que caraterizam a política cultural local e nacional:
- As formações artísticas têm uma existência efémera por falta de visibilidade e de apoio.
- O reconhecimento, em muitos casos, dos produtores culturais, é exterior à região e vem, quase sempre, de fora para dentro.
- A opção tem sido a de dar protagonismo a artistas de fora em eventos grandiosos e caros, não reconhecendo as dinâmicas artísticas locais
- Desde há muito que os produtores culturais reivindicam apoios junto da edilidade, espaços para ensaio e exposição e palcos condignos
- O panorama cultural e artístico da região, em particular da cidade de Braga, e excetuando Guimarães e Famalicão, é praticamente vazio no que à visibilidade e valorização de artistas e de formações locais nas diferentes expressões artísticas.
- O município raramente reconhece estas dinâmicas artísticas, quer através de apoios (financeiros, salas de ensaio, entre outros), quer através de iniciativas que os promovam.
Ora, a dinamização cultural de uma cidade como Braga é uma condição de afirmação da identidade coletiva e do sentir e pulsar da cidade. Nesse sentido, o Bloco de Esquerda pretende contribuir para uma ação ampla e diversificada da oferta da cultural na que é considerada terceira cidade do País.
Somos conhecedores de que, à margem das dinâmicas oficiais no âmbito da oferta cultural, existe uma abertura e uma força cultural emergentes, visíveis em numerosas iniciativas que se realizam fora dos circuitos sob alçada da edilidade.
Por outro lado, como é sabido, Braga possui o terceiro maior número de espetadores em espetáculos ao vivo, mas é apenas 8ª cidade em número de iniciativas culturais e a 35ª em número de espaços dedicados à cultura.
Braga é, também, como referimos no nosso programa autárquico, o concelho que menos despesas tem em cultura quando comparado com os vizinhos do quadrilátero urbano e outros municípios do Norte.
O I Festival Variações, Cultura Emergente, tem o propósito de contrariar esta prática e de demonstrar que é possível promover e dar visibilidade às formações musicais e artisticas da região de Braga e aos produtores culturais em geral, na falta de uma resposta pública, nacional e local. O Festival serve também para proporcionar aos cidadãos e às cidadãs a oportunidade de conhecer, disfrutar, apoiar e valorizar as dinâmicas culturais locais, contribuindo para a formação de público e para estimular uma agenda cultural cosmopolita.
Entendemos que o esforço a prosseguir deve ser o de assumir os produtores culturais de Braga como os verdadeiros protagonistas, através de ações de implicação mútua nos projetos coletivos e da participação nas decisões.
Para este primeiro VARIAÇÕES está prevista a realização de oito concertos, no centro da cidade de Braga, juntando no mesmo palco bandas de música tradicional portuguesa, música de intervenção, eletrónica com canto lírico, rock and roll, rock alternativo e instrumental.
O concerto dura 8 horas, sem interrupção, o palco está localizado na Avenida Central e Catarina Martins irá fazer uma intervenção, assim como serão apresentadas algumas propostas do Bloco de Esquerda para a cultura em Braga.
Como preparação do grande evento e cumprindo os diferentes propósitos acima anunciados, foram criados os três três eventos em dias, a que chamamos Pre-Vari(c)ações
O primeiro Pre-Vari(c)ações acontece já no dia um de junho, às 22h00, no Barhaus. Participam duas bandas: Mister Mojo e Traça e, no final, o DJ Senhor P anima a festa.
O segundo acontece no dia 27 de junho e é um debate sobre cultura e produtores culturais, no qual pretendemos abordar as fragilidades detetadas e desenhar caminhos para tornar visíveis as dinâmicas artísticas que estão à margem dos roteiros oficiais. Contamos com a presença de diferentes especialistas e agentes culturais. Vamos discutir sugestões e ideias que possam vir a integrar as propostas do Bloco de Esquerda para estas áreas.
Por fim, o terceiro Pre-Vari(c)ações é uma sessão de cinema documental comentada por uma das realizadoras, Sofia Saldanha, no dia 28 de junho.
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