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Bloco pergunta: qual é a pressa?

Foi com esta pergunta que o Bloco de Esquerda mostrou o seu desagrado para com a concessão do estacionamento da cidade de Braga a uma empresa privada. 

No entender do BE este negócio revela-se altamente lesivo para os cofres municipais, a receita gerada é ilegítima e a solução apresentada não defende os interesses dos bracarenses, aliás, hipoteca o espaço público, alienando um elemento fundamental no planeamento da cidade.

O alargamento da zona de estacionamento pago é também uma das medidas que no entender do BE não vai resolver o problema da rotatividade do estacionamento, existe estacionamento pago na cidade, existem parques subterrâneos com lugares suficientes para fazer face ao número limitado de lugares na superfície. Para além disso, muitas das ruas onde está prevista a colocação de parcómteros são zonas única e exclusivamente residenciais.

Não se compreende também que este alargamento compreenda grande parte dos serviços públicos (estações de transportes, centros de saúde, escolas), privando dessa forma os utilizadores de beneficiarem de estacionamento gratuito por tempo limitado. 

Todo este programa de concessão surge sem qualquer medida de mobilidade alternativa concreta que possa servir a população, a CMB não apresentou quaisquer propostas que se traduzam numa melhoria da rede de transportes urbanos, enquanto isso esta continuará a mostrar-se insuficiente e ineficaz.

O Bloco de Esquerda entende que este negócio, concretizado a poucos meses das eleições autárquicas e sem qualquer consenso político, é demonstrador do espírito pouco democrático e da vertente privatizadora da CMB, que assim entrega por alguns trocados um valioso activo da cidade, o espaço público.

Este negócio promovido unilateralmente pela CMB será um duro golpe para todos os comerciantes e trabalhadores que fruto do contexto económico estão a atravessar graves dificuldades e que vêem as suas ruas serem vendidas, tendo que pagar a um privado pelo lugar que outrora lhes pertenceu.