No seguimento da discussão pública que tem sido realizada em relação à reconversão do Cinema S. Geraldo, em Braga, o Bloco de Esquerda pretende que o Ministério da Cultura esclareça se está “disponível para contribuir, junto da entidade proprietária, da Autarquia Local e demais entidades envolvidas, em ordem a que seja encontrada uma solução que garanta a preservação da identidade histórica do Edifício S. Geraldo e a sua inserção num projeto que privilegie a sua função cultural”.
O deputado eleito por Braga, Pedro Soares, pretende saber também se “a Direção Geral do Património Cultural, na sua missão de assegurar a gestão, salvaguarda e valorização do património cultural do país, já apreciou e emitiu parecer relativamente à obra anunciada para o local onde se situa o Cinema S. Geraldo.
De acordo com o deputado, a “relevância atual reside principalmente na forte marca identitária”, uma vez que apesar da “adaptação a cinema manteve o palco original e, além das sessões regulares de cinema, albergou iniciativas culturais diversas, os mais variados espetáculos, comícios políticos no pós 25 de Abril, acolheu eventos de raiz católica e republicana, tornou-se uma referência cultural da cidade para várias gerações”.
O deputado afirma que “o caráter histórico e cultural único, na centralidade da sua localização, inserido num potencial e desejável quarteirão urbano das artes, articulando o Cinema S. Geraldo com o Theatro Circo”, conforme referido no Programa Estratégico de Reabilitação Urbana do Centro Histórico, que “prevê a reconversão do S. Geraldo para auditório e reconhece a sua importância patrimonial para definir uma oferta qualificada no Centro Histórico de Braga”.
Pedro Soares considera “essencial que este território de elevada sensibilidade histórica e cultural seja abordado com os mais elevados critérios urbanísticos”, uma vez que “o espaço onde se encontra o Cinema S. Geraldo, de acordo com declaração da ASPA – Associação para a Defesa, Estudo e Divulgação do Património Cultural e Natural, uma zona condicionada por vários motivos: i) aí existiu o Convento dos Remédios (fundado no séc. XVI e demolido no início do séc. XX); ii) na proximidade foram encontrados vestígios de Bracara Augusta; iii) encontra-se em áreas protegidas de monumentos classificados”.
O deputado bloquista alerta ainda para a “solução que prevê a demolição do interior, mantendo apenas a fachada, para futura utilização divergente com o objetivo cultural que se mantém na perceção dos cidadãos e que Braga necessita para apoiar a criação artística, a produção e a programação autóctone”.
A pergunta pode ser consutada aqui:
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