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Rua dos Chãos, um cenário desolador

imagem: Braga On

As notícias vindas recentemente a público acerca das obras “Regenerar Braga”, nomeadamente as intervenções na Rua de S. Vicente e na Rua dos Chãos, são o exemplo do profundo desrespeito com que o Município de Braga trata a história da cidade.

No passado dia 23 de Novembro as pedras de uma conduta associada ao conjunto monumental das Sete Fontes - Monumento Nacional - foram retiradas e a galeria criada por essas mesmas pedras foi destruída e substituída por tubagens, num ápice um elemento da nossa história foi alterado de forma irreversível.

São legítimas portanto as dúvidas que a intervenção nesta artéria em pleno centro histórico têm suscitado, designadamente:

  • foi realizado algum estudo arqueológico prévio no âmbito das infraestruturas projetadas para a Rua de S. Vicente e Rua dos Chãos?
  •  houve algum estudo da Unidade de Arqueologia da Universidade do Minho sobre os vestígios encontrados nestas duas artérias, a saber Rua de S. Vicente e Rua dos Chãos?
  • se existiu um estudo arqueológico o que é que o mesmo indica acerca dos vestígios encontrados e em que se baseia para indicar que as pedras emparelhadas não serviam o propósitos das obras em questão, ou seja, de continuarem a conduzir a água?
  • tem a Câmara Municipal de Braga a consciência de que sem os necessários estudos arqueológicos preliminares ou subsequentes à obra podem ter comprometido irremediavelmente a conservação e a valorização do conjunto formado por aquelas galerias subterrâneas?

O Bloco de Esquerda considera que independentemente de não se poderem musealizar todos os vestígios, isso não invalida a sua preservação in situ, bem como a sua referenciação e divulgação, bem como a sua inclusão, numa versão atualizada do Roteiro Arquitetónico de Braga

 

Braga, 05 Dezembro 2012

A Coordenadora Concelhia do Bloco de Esquerda

(imagem e título: Braga On)