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Bloco quer 'romper com governação para os amigos' e apresenta uma candidatura de cidadania

Em Braga, o Bloco de Esquerda avança para as autárquicas com o objetivo de “romper com esta ideia de cidade, de concelho, de governação para os amigos”, destacou Paula Nogueira que encabeça a lista à Câmara de Braga, durante a apresentação da sua candidatura e a de António Lima que encabeça a lista à Assembleia Municipal. Os candidatos estiveram acompanhados pela Coordenadora Nacional do partido, Catarina Martins, e pelo deputado eleito por Braga e coordenador para as autárquicas do bloco, Pedro Soares.

Nas eleições de outubro, o Bloco pretende quebrar o “debate político fechado apenas entre o PSD e o PS” e que o “Bloco de Esquerda irrompa nestas autárquicas com uma força fundamental para o debate político”, disse o coordenador para autárquicas do bloco, Pedro Soares.

Há 4 anos, o Bloco apoiou a candidatura independente CEM. Desta vez, o Bloco de Esquerda volta a assumir o seu lugar neste combate político apresentando Paula Nogueira como candidata à Câmara de Braga. Durante o discurso, a candidata destacou o papel importante que o movimento independente teve neste últimos anos. “O CEM fez ganhar muita gente para a cidadania participativa e eu tenho muito orgulho em fazer parte desse legado, em ter defendido o nosso concelho com tantas e tantos que acham que nem só de partidos vive a política”, frisou Paula Nogueira.

Com um contexto político diferente, a dirigente bloquista encabeça agora uma candidatura do BE à Câmara Municipal de Braga. “Queremos que tenha tanto de esquerda como de cidadania, como sempre foi e será no Bloco”, a candidata. Perante um auditório cheio de apoiantes, Paula Nogueira referiu-se às mudanças do quadro político em Braga. “Em quatro anos mudaram-se os tempos, mas não se mudaram as vontades, mudaram-se os protagonistas da governação, mas não se mudou a política. Ricardo Rio, de jovem simpático, dialogante, cool, foi ficando perigosamente parecido com Mesquita Machado”, vincou a candidata apontando exemplos gestão da atual maioria. Paula Nogueira referiu que Ricardo Rio “não teve nenhuma dúvida em trocar os terrenos destinados a um parque urbano, de que Braga precisa desesperadamente, ao Sporting de Braga, para aí construir uma Academia, o nome pomposo para designar uma fábrica de jogadores profissionais”. O Cinema S. Geraldo é outro exemplo sublinhado pela bloquista. A câmara “abdicou da compra” do imóvel e “aprovou o projeto da Diocese para transformar aquele espaço cultural num hotel e shopping, em contraciclo com o que vemos acontecer em tantos outros concelhos do país, de onde nos chegam notícias de notáveis recuperações de espaços culturais”.

Paula Nogueira fixou outros aspetos em que Ricardo Rio excedeu o velho dinossauro. “No lugar de um homem circunspecto, ganhamos um Speedy Gonzalez, que não aquece a cadeira do seu gabinete, tantas são as iniciativas em que aparece e se faz fotografar e promover através de uma poderosa máquina de propaganda, que debita notícias para os jornais, publicadas a troco de dezenas de milhares de euros de publicidade, condicionando o pluralismo da nossa imprensa”.

A candidata referiu ainda que: “no lugar de um homem mais distante ganhamos um «presidente facebook» que, qual Narciso, afirmou em público que «Deus votaria em si» e que precisou de gastar o preço de um apartamento para renovar o seu gabinete, porque este pequeno «rei sol» precisa de aposentos a condizer”.

No programa eleitoral “inovador”, o Bloco apresenta propostas que promovam um novo caminho, “Amiga das Crianças”, para o município e para a cidade. O ambiente, melhoria dos transportes públicos, mais cultura, mais ação social e mais respeito pelo património local, direito por habitação digna, são alguns vetores do programa eleitoral bloquista. Paula Nogueira destaca ainda que o programa inclui ainda um “projeto educativo municipal que inclua a educação de adultos e a criação de creches municipais, para apoiar as famílias e incentivar a natalidade”. Só deste modo, “Braga tem de servir para concretizar os direitos dos bracarenses”, destacou Pedro Soares.

O Bloco exige maior proximidade democrática das pessoas ao poder local. Para a Assembleia Municipal de Braga, António Lima, quer dignificar este órgão autárquicos, defendendo uma maior capacidade das pessoas poderem se expressar durante as sessões sem ficarem remetidas para o final, ou até mesmo esquecidas”. A realidade concreta da proximidade é uma exigência do Bloco de Esquerda partilhada pela coordenadora nacional. “O Bloco é definitivamente a força que pode fazer a diferença em Braga”, frisou Catarina Martins. O BE “já provou que não é só um partido fiscalizador e de protesto e que sabe contribuir para melhorar a vida concreta das pessoas”. Para Catarina Martins “é este o tempo de exigência da proximidade democrática às comunidades de se expressarem, tomarem decisões e de as debaterem”.