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Bloco defende gestão pública no Hospital de Braga

O Bloco de Esquerda promoveu, na tarde desta segunda-feira, uma conferência de imprensa sobre a situação no Hospital de Braga, defendendo que a gestão deveria regressar à esfera pública.

Pedro Soares, deputado eleito pelo circulo eleitoral de Braga, afirma que “a gestão pública assegura os critérios de qualidade”, apontando algumas debilidades daquele Hospital, nomeadamente, “listas de esperas que ultrapassam os limites definidos por lei, como as consultas de reumatologia com esperas de 11 meses, em vez de 4, a racionalização do fornecimento de medicamentos a doentes crónicos, como a medicação para a esclerose múltipla a ser entregue quinzenalmente, em vez de mensalmente, e a falta de direção clínica em várias especialidades”.

Recorrendo a um relatório do Tribunal de Contas de 2016, o deputado realça que “o parceiro privado tem se acomodado ao atual contrato, na esperança de o ver renovado, de forma a garantir receitas que cubram as perdas acumuladas em anos anteriores, apresentando atualmente uma situação de falência técnica”.

“Esta estratégia está a renegar para segundo plano as necessidades da população, uma vez que o Hospital teria condições para um serviço superior em 23%”; está a ser prestado um serviço abaixo da capacidade e das necessidades da população, apresentando um quadro preocupante”, acrescenta.

Rejeitando a “drenagem de dinheiros públicos para o privado”, o deputado bloquista defende o fim da Parceria Público Privada, que foi estabelecida entre o Governo e o Grupo Mello Saúde em 2009, e exigirá do Ministério da Saúde a “clarificação da posição”, de forma a assegurar “um serviço público, universal e de qualidade”.

António Lima, deputado na Assembleia Municipal de Braga, manifestou a “perplexidade” com a posição de Ricardo Rio, Presidente da Câmara Municipal, que veio defender a gestão privada do Hospital. Para o deputado municipal, “um gestor público que descredibiliza a Administração Pública deve pôr o lugar à disposição”. “O trabalho do executivo é reclamar a melhoria das condições do serviço de saúde para os munícipes, pelo que se deve abster nesta questão”, conclui.