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Bloco contra forma como a Câmara de Braga está a gerir processo do quartel dos Bombeiros Voluntários

Imagem de http://www.vidadebombeiro.com.pt/

A Coordenadora Concelhia do Bloco de Esquerda de Braga vem por este meio manifestar a sua oposição à forma como a Câmara Municipal de Braga está a gerir o processo de relocalização do quartel dos Bombeiros Voluntários de Braga.

Reconhece-se a necessidade premente de um novo espaço para que os BVBraga possam continuar desenvolver o seu trabalho de apoio à população, não haja qualquer dúvida quanto a isso. Não podemos é aceitar que a solução passe por contornar os regulamentos que a própria Câmara Municipal de Braga criou, modus operandi constante deste município e que faz ressurgir o que de pior existiu nos tempos idos de mesquitismo.

Isto a propósito da aprovação em sede municipal de um novo negócio, defendido por Ricardo Rio e Miguel Bandeira, que pressupõe a entrega de um edifício no Largo Paulo Orósio a um grupo privado, a troco de 1,5M€ para a construção de um novo quartel para os BVBraga. A proposta assenta na criação de um hotel com 36 quartos, quatro pisos acima da cota de soleira e um piso de garagem, ou seja, o dobro da volumetria actual do edifício!

A Câmara Municipal de Braga tem vindo ao longo dos últimos anos, num processo continuado e de grande prejuízo para todos os munícipes, a fazer tábua rasa dos regulamentos municipais, ignorando aquilo que são as boas práticas no que à conservação do edificado diz respeito e sempre com contrapartidas altamente duvidosas.

Relembramos a este título as contrapartidas relativamente ao complexo onde se situa a ex-Piscina Olímpica, cedida pela Câmara de Braga ao SCBraga em 2015, em que se exigia que o clube o revertesse num Pavilhão Multiusos com 800m2 num prazo de 3 anos. Como é do conhecimento público, o “esqueleto” das piscinas continua ao abandono tendo a Câmara cedido às pressões do SCBraga e desistido da possibilidade de usar parte desse pavilhão em troca de uns míseros 400 mil euros e da impossível cobertura do ringue de S. José (S. Vítor).

Por outro lado importa referir que o contexto que vivemos neste momento é bastante particular e que por isso entendemos que não se adequa a este tipo de investimentos. Para além disso, o novo quartel de bombeiros passa a estar dependente da construção de um hotel por parte de privados: se eventualmente este negócio não avançar adia-se uma vez mais a possibilidade de uma mudança de instalações por parte dos Bombeiros Voluntários.

 

As soluções não podem ser problemas e é por isso que a Coordenadora Concelhia do BE propõe que se regresse à solução anterior, da instalação do novo quartel dos BVBraga nas antigas instalações dos Bombeiros Sapadores, dotando o edifício de todas as condições para que os BVBraga possam continuar a desempenhar o seu trabalho com todo o empenho e dedicação que se lhes reconhece.

A Coordenadora Concelhia do BE mostra-se estupefacta com o facto da DRC ter dado parecer favorável, ainda que condicionado a este projecto, optando assim por dar cobertura aos negócios imobiliários patrocinados pela CMBraga - como aconteceu há pouco tempo com o caso do edifício da Confiança - em vez de se afirmar como o garante último da protecção do património de Braga.

Deixar as opções estratégicas essenciais de uma cidade na eventualidade de negócios com privados, através de contrapartidas duvidosas e recorrendo a argumentos frágeis, é uma decisão irresponsável de quem continua a gerir a coisa pública como se de um mercado se tratasse.