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Contrato-programa com os TUB é "desfasado das reais necessidades das pessoas"

Imagem retirada de https://www.skyscrapercity.com/

Intervenção de Alexandra Vieira na reunião da Assembleia Municipal de Braga:

 

Sobre o Contrato-Programa – TUB/EM parece ao grupo municipal do Bloco de Esquerda que, quanto à pertinência dos transportes públicos, para este executivo municipal é apenas um serviço destinado às pessoas com menor capacidade financeira, aos estudantes, aos mais velhos ou às pessoas portadoras de dificuldades de mobilidade. Por isso, a tónica do contrato-programa é sempre no desconto dos passes e no mapa da rede, demonstrando como alguns dos circuitos vão a todas as freguesias.

Mas isso não significa uma gestão racional da rede pois não estão contempladas as deslocações entre freguesias, ou mesmo entre os concelhos vizinhos.

No texto do contrato lê-se que a maioria dos circuitos apresenta saldos negativos. Fica a pergunta: servem as populações efetivamente? Permitem a deslocação diária casa-trabalho-casa, tornando desnecessária a utilização do automóvel individual? Não nos parece. Como aconteceu noutras cidades, a revisão da rede, acompanhada das medidas de redução tarifárias, trouxe mais pessoas aos transportes coletivos públicos, que são a forma mais eficaz de descarbonizar e de resolver o problema do excesso de automóveis que todos os dias entram na cidade.

Deste modo, perpetua-se este cenário como uma fatalidade transformada num círculo vicioso: fracos transportes urbanos, para pessoas de baixos rendimentos e com pouca capacidade reivindicativa, pior serviço, menor utilização pela população em geral, mais automóveis em circulação. Há baixa densidade populacional nas freguesias mais distantes do centro porque não há condições para se viver nestes territórios. Que têm os senhores presidentes de junta a dizer sobre tema? Que têm as pessoas a dizer sobre isto? Desconhecemos, mas adivinhamos as respostas.

Não é este o paradigma de transporte público que defendemos para Braga e para distrito. Os transportes têm de servir toda a população e a qualidade do serviço está relacionada com a qualidade do transporte, o desenho da rede, os tipos de baías e a qualidade das paragens e a frequência horária. Um transporte coletivo público não é uma medida de apoio social, é uma medida que melhora a qualidade de vida das pessoas, melhora a qualidade do ar, melhora a circulação na cidade e é uma medida de saúde pública. Por isso, não concordarmos com os princípios, com os objetivos, nem com os termos.

Fica desde já aqui ao desafio ao senhor presidente, que é também presidente da CIM do Cávado. Esperamos que tenha tomado boa nota das nossas sugestões feitas há 10 meses e quando vier o segundo PART, olhe para esta oportunidade de uma outra forma e procure a articulação entre freguesias, entre concelhos, entre as CIM e a Área Metropolitana. O autocarro, o metro, o comboio não são para quem tem menos posses, mas sim para todas as pessoas.

Considerarmos este contrato-programa antiquado, conservador e preconceituoso, desfasado do que são as reais necessidades das pessoas, sem visão de futuro nem uma efetiva preocupação de melhora do serviço público do transporte coletivo, o grupo parlamentar do Bloco de Esquerda irá abster-se

 

Pelo grupo municipal do Bloco de Esquerda

Alexandra Vieira